Oximetolona altera o rendimento no treino?
Postado em 15/01/2026 às 11h:35
A oximetolona é um esteróide anabolizante androgênico sintético, inicialmente desenvolvida para fins terapêuticos, como o tratamento da anemia aplástica e de quadros de perda muscular severa. Apesar do uso clínico restrito, a substância tornou-se amplamente conhecida no meio esportivo devido ao seu potencial de promover aumento de força e massa magra quando utilizada em doses suprafisiológicas.
Diante da popularidade e das controvérsias envolvendo seu uso, surge uma pergunta recorrente entre profissionais da saúde, treinadores e atletas: a oximetolona realmente altera o rendimento no treino?
Como a oximetolona atua no organismo
A oximetolona exerce seus efeitos principalmente por meio da ativação dos receptores androgênicos presentes no tecido muscular. Essa interação estimula processos anabólicos relevantes para o treinamento de força, como o aumento da síntese proteica e a redução do catabolismo muscular.
Além disso, há evidências de que a substância influencia a expressão de fatores de crescimento muscular, como IGF-I e IGF-II, envolvidos na hipertrofia e na adaptação ao treinamento resistido. Outro efeito conhecido da oximetolona é o estímulo à eritropoiese, aumentando a produção de glóbulos vermelhos, o que pode melhorar o transporte de oxigênio para os músculos ativos durante o exercício.
Oximetolona e ganhos de força
Estudos clínicos avaliando o uso de oximetolona em populações clínicas fornecem indícios importantes sobre seus efeitos anabólicos. Em pacientes com sarcopenia associada à diálise, por exemplo, a administração da substância resultou em aumento da massa livre de gordura e melhora da força de preensão manual, além de maior expressão de genes relacionados ao crescimento muscular.
Embora esses dados não envolvam atletas, eles demonstram que a oximetolona é capaz de promover adaptações musculares significativas em contextos de déficit muscular severo.
Quando analisada dentro do grupo dos esteróides anabolizantes androgênicos (AAS), a oximetolona compartilha efeitos comuns observados em revisões sistemáticas e ensaios clínicos. Esses estudos indicam ganhos de força de curto prazo, frequentemente entre 5% e 20%, além de aumentos de 2 a 5 kg de massa magra em alguns protocolos.
Entretanto, os benefícios parecem estar mais relacionados ao desempenho em exercícios de força e potência, sem evidências consistentes de melhora significativa na performance aeróbia ou em modalidades de endurance.
Impacto no rendimento do treino
Na prática, a oximetolona pode influenciar o rendimento do treino por diferentes mecanismos. O aumento da síntese proteica e da retenção de nitrogênio favorece a hipertrofia muscular, enquanto a melhora na recuperação permite maior tolerância a volumes e intensidades elevadas de treinamento.
Além disso, o possível aumento da capacidade de transporte de oxigênio pode contribuir para redução da fadiga muscular em sessões intensas. Esses fatores combinados podem resultar em maior capacidade de carga, mais repetições próximas ao limiar de fadiga e intervalos de recuperação mais curtos entre os treinos.
Limitações e riscos associados
Apesar do potencial ergogênico, o uso de oximetolona está associado a riscos relevantes. Por se tratar de um esteróide 17α-alquilado, há elevada sobrecarga hepática, com risco de hepatotoxicidade, especialmente em doses supra terapêuticas.
Outros efeitos adversos incluem alterações negativas no perfil lipídico, com redução do HDL e aumento do LDL, além da supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, levando à queda da produção endógena de testosterona. Esses fatores podem comprometer a saúde cardiovascular, metabólica e hormonal, impactando o desempenho a médio e longo prazo.
Considerações para profissionais da saúde e do esporte
É importante destacar que os efeitos da oximetolona não são universais e dependem de variáveis como dose, duração do uso, contexto de treinamento e perfil hormonal individual. Além disso, parte da melhora percebida pode estar associada à retenção hídrica e à sensação subjetiva de força.
Profissionais devem diferenciar claramente o uso clínico do uso voltado à performance esportiva, além de abordar aspectos éticos e regulatórios. A oximetolona é uma substância proibida pela Agência Mundial Antidoping (WADA) em competições esportivas.
Conclusão
A oximetolona pode alterar o rendimento no treino, principalmente por meio do aumento da força e da adaptação ao treinamento resistido. No entanto, apesar de evidências gerais sobre esteróides anabolizantes, ainda são escassos os estudos controlados específicos em atletas saudáveis. Diante dos riscos à saúde, a discussão sobre seu uso deve ser sempre pautada em ciência, ética e prevenção de danos.
Referências científicas
Supasyndh O et al. Oxymetholone aumentou massa magra e força de preensão em pacientes com sarcopenia em estudo clínico randomizado. (PMC).
Hartgens F, Kuipers H. Revisão: efeitos de esteróides anabolizantes em força e composição corporal. (PubMed).
Mecânica e ação dos AAS mediada por receptores de andrógenos e sinalização anabólica. (kjsm.org).
Informações farmacológicas sobre oximetolona e impactos fisiológicos. (Tua Saúde).