Quais são os efeitos do exercício físico na função gastrointestinal?
Postado em 03/02/2026 às 11h:45
Sabe-se que exercícios realizados com até 70% do consumo máximo de oxigênio (VO₂máx) geralmente não interferem significativamente na função gastrointestinal. No entanto, isso não significa que uma pessoa possa sair correndo logo após uma refeição volumosa.
Esse comportamento aumenta a atividade do sistema nervoso simpático e reduz a do parassimpático, o que pode inibir temporariamente o funcionamento do sistema gastrointestinal. Nesses casos, a resposta do organismo dependerá da localização do alimento no trato digestivo e do tipo e intensidade do exercício realizado.
Se o alimento ainda estiver no estômago – ou seja, se a refeição foi recente – e a pessoa iniciar uma corrida a 85% do VO₂máx, é provável que ocorra uma interrupção do esvaziamento gástrico. O alimento tende a se acumular na porção inferior do estômago, distendendo suas paredes e desencadeando um reflexo que pode culminar em vômito.
Entretanto, se esse alimento já estiver no intestino, aí dependerá da movimentação vigorosa do tronco. Ou seja, se o indivíduo estiver fazendo um exercício que não envolva grandes movimentos do tronco, isso não será um grande problema.
De maneira oposta, caso o exercício envolva movimentação vigorosa do tronco, o indivíduo poderá propelir o alimento por meio dessa movimentação, mesmo com o intestino inativo. Mas vale lembrar que esse efeito é tempo-dependente, ocorrendo, em geral, após cerca de 1 hora de exercício físico.
Outro ponto importante a mencionar é a possibilidade de ocorrência da chamada “diarreia de maratonista”, em que o alimento vai sendo propelido até que chega ao final do intestino e sai “de qualquer jeito”. Essa eliminação fecal será diarreica, pois há diminuição do fluxo sanguíneo esplâncnico; então, a absorção está prejudicada e a motilidade também, fazendo com que o alimento chegue ao final com baixíssima absorção.
Para resolver esse tipo de contratempo, é necessário acertar o tipo de alimentação pré-prova e o horário de alimentação conforme a prova. Vale destacar que nós podemos, sim, treinar o sistema gastrointestinal para que ele se adapte a esse tipo de situação, mas isso leva tempo.
Todavia, tudo isso é agudo (ocorre apenas durante o exercício físico), pois sabemos que o exercício promove adaptações gastrointestinais, como melhora do sistema ao longo do tempo de treinamento, já que o treinamento aumenta a atividade parassimpática e diminui a simpática.
Logo, aplicando isso ao sistema gastrointestinal, percebe-se aumento da motilidade gastrointestinal com o treinamento, além de maior irrigação tecidual para o local. O treinamento também promove aumento da secreção de muco, o que amplia a ação antiulcerogênica, pois protege mais a parede do estômago contra a ação de ácidos.
A úlcera gástrica tem um componente orgânico, mas também um componente psicossomático, pois pessoas mais estressadas têm maior tendência à ulceração do que outras.
Por fim, vale lembrar que o exercício físico diminui – ou tem capacidade de modular – o estresse.
Texto por: Pietra Fogaça – Nutricionista Comportamental
Pode te interessar também: O que fazer para sair do efeito platô?