Qual a diferença da dieta low carb para a dieta cetogênica?
Postado em 15/04/2026 às 09h:25
É provável que você já tenha considerado a dieta low carb como equivalente à dieta cetogênica. No entanto, vamos esclarecer as distinções entre essas duas abordagens alimentares a fim de evitar confusões.
As dietas low carb e cetogênica são dois tipos de estratégias alimentares que, apesar de compartilharem algumas semelhanças, apresentam diferenças importantes em sua composição e em seus efeitos no organismo. Como dito anteriormente, é muito comum que as pessoas confundam esses dois estilos de alimentação, uma vez que ambos envolvem a redução do consumo de carboidratos. Porém, é crucial entender suas particularidades para fazer uma escolha consciente e adequada aos seus objetivos e necessidades de saúde.
A dieta low carb é um padrão alimentar que reduz a ingestão de carboidratos em relação ao que se considera uma dieta padrão, mas não há uma quantidade absoluta de carboidratos que deve ser consumida – esse percentual pode ser bastante variado; logo, existem “muitas dietas low carb”.
Em uma dieta ocidental típica, por exemplo, cerca de 45 a 65% das calorias vêm dos carboidratos. A dieta low carb, por outro lado, será composta por menos de 45% do valor energético total (VET) em carboidratos. Já a dieta cetogênica, que é muito baixa em carboidratos, possui menos de 10% do VET em carboidratos.
Visto isso, uma dieta low carb não é uma dieta zerada em carboidratos e também não precisa ser uma dieta baixíssima nesse composto.
É possível ainda que você já tenha ouvido alguém dizer que “a dieta low carb foi a que mais deu resultado”, mas precisamos ser críticos quanto a isso.
Quanto aos efeitos fisiológicos dessas dietas que reduzem carboidratos, é evidente que ocorrerá, com a redução do consumo dessa substância, bem como da liberação do hormônio insulina, uma resposta aguda. Com isso, aumenta a eliminação de sódio e de água, o que reduz a retenção hídrica e, consequentemente, reduz o peso corporal.
Além disso, com a redução do carboidrato, ocorre diminuição dos níveis de glicose, o que reduz os estoques de glicogênio e, dessa forma, reduz água (pois o glicogênio está ligado a moléculas de água), impactando novamente o peso corporal. Inclusive, é por essa maior perda de peso inicial que muitos insistem em afirmar que dietas low carb emagrecem mais.
No entanto, de forma crônica (a longo prazo), essa queda de insulina tende a se normalizar. E, além disso, vale ressaltar que perder peso não é a mesma coisa que perder gordura. Logo, por mais que a low carb possa ser interessante para pacientes com quadro de resistência à insulina, isso tende a ser mais relevante em um primeiro momento, já que depois o benefício se iguala a dietas com maior teor de carboidratos.
Em comparação com a dieta cetogênica, a low carb permite maior flexibilidade em relação ao que pode ser consumido. Na low carb, alimentos ricos em carboidratos, como pães, massas e açúcar, são um pouco limitados, enquanto vegetais, frutas, proteínas (carnes, ovos e peixes) e gorduras saudáveis (azeite, abacate e nozes) são priorizados.
Uma característica importante da low carb é que ela não elimina completamente nenhum grupo alimentar, apenas modera o consumo de carboidratos, o que já a diferencia da dieta cetogênica.
A dieta cetogênica, ou “dieta keto”, é uma abordagem muito mais restritiva em relação aos carboidratos. Ela exige que o consumo de carboidratos seja extremamente baixo, em torno de 5 a 10% do VET, enquanto a maior parte das calorias é obtida por meio das gorduras, representando cerca de 70 a 80% das calorias diárias.
E, ao contrário do que muitos pensam, o consumo de proteínas não pode ser alto na cetogênica — as proteínas compõem cerca de 15 a 20% do VET.
O objetivo da dieta cetogênica é induzir o corpo a entrar em um estado metabólico chamado cetose, no qual ele começa a utilizar gordura como principal fonte de energia, convertendo-a em moléculas chamadas corpos cetônicos.
Para alcançar esse estado, a ingestão de carboidratos precisa ser extremamente baixa, o que força o fígado a começar a produzir cetonas a partir da gordura, em vez de usar a glicose (proveniente dos carboidratos) como fonte primária de energia.
A diferença mais expressiva entre esses dois tipos de dietas é a quantidade de carboidratos permitida. Enquanto a dieta low carb permite uma ingestão moderada de carboidratos, variando entre 50 e 150 gramas por dia, a dieta cetogênica limita os carboidratos a níveis extremamente baixos, geralmente consistindo em uma ingestão diária de apenas 20 a 50 gramas de carboidrato por dia (a depender da literatura científica consultada).
A dieta low carb é menos rígida. Já na dieta cetogênica, os carboidratos são tão limitados que até o consumo de frutas é mais reduzido – o paciente tende a consumir mais abacate e frutas com baixo teor de carboidratos, como morangos e melão – e até alguns vegetais mais ricos em amido, como batatas, são diminuídos.
Ambas as dietas podem ser eficazes para perda de peso e controle glicêmico, mas a dieta cetogênica tem um foco maior na cetose e em seus benefícios, sendo que os principais são os efeitos terapêuticos em condições neurológicas, como a epilepsia.
Inclusive, a dieta cetogênica foi inicialmente desenvolvida como tratamento para epilepsia refratária, e há estudos que apontam potenciais benefícios em outras condições, como Alzheimer e Parkinson.
Em geral, dietas com menos carboidratos tendem a ser benéficas para quem tem resistência à insulina ou diabetes tipo 2. Mas são estratégias que nem sempre irão funcionar para todos, ainda mais considerando que a alimentação do brasileiro é rica em carboidratos — e é por isso que muitas pessoas não conseguem segui-las por períodos mais prolongados.
A escolha entre uma dieta low carb e cetogênica depende dos objetivos, do estilo de vida e das condições de saúde. Para quem busca uma redução moderada de carboidratos sem uma restrição extrema, a low carb pode ser mais adequada e sustentável no longo prazo.
É sempre importante lembrar que cada corpo reage de forma diferente, e consultar um bom nutricionista é fundamental antes de iniciar qualquer dieta, especialmente para avaliar possíveis contraindicações e garantir que todas as necessidades nutricionais sejam atendidas.
Texto por: Pietra Fogaça – Nutricionista comportamental
Pode te interessar também: Carboidrato de noite engorda mais?