Quais são os efeitos colaterais do Masteron e como minimizá-los?
Postado em 22/01/2026 às 11h:55
O Masteron (drostanolona) é um esteroide anabolizante androgênico (EAA) derivado da di-hidrotestosterona (DHT), amplamente utilizado no contexto esportivo, especialmente em fases de redução de gordura corporal e definição muscular. Seu uso é associado à melhora da densidade muscular, aspecto estético mais “seco” e menor retenção hídrica.
Apesar da reputação de ser um composto “mais leve”, alguns efeitos colaterais do Masteron são percebidos como alterações hormonais e metabólicas relevantes, que podem impactar o eixo endócrino, o sistema cardiovascular, a saúde reprodutiva e o perfil psicológico do usuário.
1. Supressão da produção natural de testosterona
Assim como outros esteroides anabolizantes, o Masteron inibe o eixo hipotálamo–hipófise–testículos (HPT), reduzindo a produção endógena de testosterona por mecanismo de feedback negativo. Possíveis consequências:
- Queda da testosterona total e livre
- Redução da libido após o ciclo
- Fadiga, desmotivação e piora do desempenho
- Dificuldade de recuperação hormonal
Como minimizar:
- Realizar monitoramento hormonal (testosterona, LH, FSH)
- Utilizar protocolos de Terapia Pós-Ciclo (TPC)
- Evitar ciclos prolongados e doses excessivas
2. Efeitos androgênicos: acne, queda de cabelo e próstata
Por ser um derivado direto da DHT, o Masteron possui alta atividade androgênica, o que impacta tecidos sensíveis a esse hormônio. Principais efeitos:
- Aumento da oleosidade da pele e acne
- Aceleração da alopecia androgenética
- Possível estímulo à hiperplasia prostática em indivíduos predispostos
Como minimizar:
- Avaliar histórico familiar de calvície
- Manter higiene e controle da oleosidade da pele
- Acompanhamento prostático em homens acima de 40 anos
3. Alterações no perfil lipídico e risco cardiovascular
Um dos efeitos colaterais mais relevantes do Masteron ocorre no metabolismo das lipoproteínas. Esteroides derivados da DHT tendem a:
- Reduzir o HDL (colesterol “bom”)
- Aumentar o LDL (colesterol “ruim”)
- Elevar o risco aterogênico
Essas alterações estão associadas ao aumento do risco cardiovascular a médio e longo prazo.
Como minimizar:
- Monitorar HDL, LDL e triglicerídeos
- Priorizar dieta rica em gorduras insaturadas
- Manter prática regular de exercício aeróbio
- Evitar empilhamento com múltiplos AAS
4. Efeitos colaterais do Masteron em mulheres
Em mulheres, mesmo doses baixas de Masteron podem provocar virilização, devido à forte ação androgênica do composto. Possíveis efeitos:
- Engrossamento da voz
- Aumento de pelos corporais (hirsutismo)
- Irregularidades menstruais
- Hipertrofia do clitóris
Muitos desses efeitos podem ser irreversíveis.
Como minimizar:
- Evitar o uso sem acompanhamento médico
- Priorizar compostos com menor índice androgênico
- Suspender o uso diante dos primeiros sinais clínicos
5. Masteron faz mal para o fígado?
O Masteron injetável (propionato ou enantato) não é 17-alfa-alquilado, o que reduz significativamente sua hepatotoxicidade em comparação com esteroides orais. No entanto, isso não significa ausência total de impacto hepático, especialmente quando associado a:
- Uso prolongado
- Consumo de álcool
- Empilhamento com compostos hepatotóxicos
Como minimizar:
- Monitorar TGO, TGP e GGT
- Evitar associações desnecessárias
- Manter ingestão adequada de micronutrientes antioxidantes
6. Alterações psicológicas e comportamentais
O uso de esteroides anabolizantes pode influenciar neurotransmissores relacionados ao humor e comportamento. Possíveis efeitos:
- Irritabilidade
- Alterações de humor
- Ansiedade e insônia
- Aumento de impulsividade
Esses efeitos são altamente individuais e dependem de dose, duração do uso e perfil psicológico prévio.
Masteron é seguro?
Do ponto de vista científico, não existe esteroide anabolizante completamente seguro. O Masteron apresenta um perfil de efeitos colaterais diferente de compostos altamente aromatizáveis, mas ainda promove alterações fisiológicas significativas.
A percepção de que é um esteroide “leve” costuma levar à banalização do uso e à negligência do acompanhamento clínico e laboratorial.
Considerações finais
O Masteron não deve ser encarado apenas como um recurso estético, mas como um modulador hormonal potente, capaz de impactar o eixo endócrino, o sistema cardiovascular, a saúde reprodutiva e o perfil psicológico.
Para profissionais da saúde, treinadores e atletas, a abordagem mais responsável envolve:
- Educação baseada em evidências
- Monitoramento laboratorial regular
- Princípios de redução de danos
- Combate à desinformação no uso de AAS
Mais relevante do que discutir se o Masteron “funciona” é compreender quais adaptações fisiológicas estão sendo induzidas e quais riscos estão sendo assumidos.
Referências científicas
Kicman AT. Pharmacology of anabolic steroids. British Journal of Pharmacology, 2008.
Hartgens F, Kuipers H. Effects of androgenic-anabolic steroids in athletes. Sports Medicine, 2004.
Glazer G. Atherogenic effects of anabolic steroids on serum lipid levels. Archives of Internal Medicine, 1991.
Kanayama G, Pope HG. Illicit use of androgens and cardiovascular risk. Current Opinion in Endocrinology, 2018.
Bhasin S et al. Testosterone therapy and cardiovascular risk. New England Journal of Medicine, 2010.
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