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O que saber antes de receitar Fadogia agrestis

Postado em 10/12/2025 às 10h:30

A popularização da Fadogia agrestis nas redes sociais fez com que muitos alunos e pacientes busquem esse fitoterápico como uma solução “natural” para aumentar a testosterona. Entretanto, a ciência disponível até agora não sustenta essas promessas. As pesquisas existentes são quase exclusivamente realizadas em roedores e, embora apontem para possível aumento hormonal nesses modelos, não podem ser extrapoladas para humanos. Até o momento, não há ensaios clínicos robustos que comprovem eficácia em testosterona, força, performance ou composição corporal.

Incertezas importantes sobre segurança e toxicidade

Além da ausência de evidência clínica, existem alertas relevantes sobre segurança. Estudos em roedores (pré-clínicos) indicam potenciais sinais de citotoxicidade/toxicidade hepática e toxicidade reprodutiva (testicular), além de alterações bioquímicas que sugerem risco em uso prolongado. Como não há estudos humanos avaliando segurança real, o profissional deve considerar que o risco é desconhecido, e justamente por isso não pode ser negligenciado.

Doses comerciais não são baseadas em ciência

A indústria de suplementos não trabalha com uma dose oficial, comprovada ou padronizada de Fadogia. Os produtos disponíveis no mercado variam em potência, pureza e composição – alguns inclusive apresentam risco de adulteração. Isso dificulta prever efeitos, possíveis colaterais e até mesmo impacto em exames laboratoriais, adicionando uma camada importante de incerteza na recomendação.

Percepção subjetiva não é evidência fisiológica

Muitos usuários relatam melhora da libido ou disposição geral, mas esses efeitos podem ocorrer por placebo, expectativa ou estímulos indiretos, e não necessariamente por aumento real de testosterona. Diferenciar sensação de resultado fisiológico é essencial para que o profissional mantenha rigor técnico nas orientações.

Postura ética: prudência e informação clara

Diante da falta de estudos humanos, dos possíveis riscos e da ausência de padronização, a conduta mais responsável é manter uma postura prudente e orientativa. O profissional deve explicar as limitações da literatura, desencorajar o uso sem necessidade e focar em estratégias comprovadas para saúde hormonal: sono adequado, treinamento bem estruturado, manejo do estresse, nutrição otimizada e avaliação médica quando indicada.

Até que evidências sólidas sejam produzidas, a Fadogia agrestis deve ser tratada com cautela. O papel do profissional é proteger, educar e evitar recomendações baseadas em hype – sobretudo quando a segurança e a eficácia ainda não foram estabelecidas.

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